Sempre fui uma pessoa criativa e nerd, apaixonada por tecnologia e games. Aprendi a montar e consertar PCs aos 12 anos, antes mesmo de ter meu próprio computador. Na época, era um item caro para boa parte da população no Brasil. Eu ia à casa de amigos para ter acesso à tecnologia e, numa dessas visitas, conheci o Web Design: nosso hobby era fazer sites dos nossos games favoritos no FrontPage.
Sempre gostei de conectar os pontos.
Ganhei uma bolsa num curso de web design e programação, onde aprendi a desenvolver sistemas em ASP, sites animados em Flash e a editar imagens no Photoshop.
No início dos anos 2000, houve um boom de lan houses na minha cidade, o que me permitiu juntar duas coisas que eu amava: games e design. Fiz a grande maioria dos sites das lan houses do meu bairro e instalei placares nos servidores em troca de horas para jogar Counter-Strike. Nessa época, o e-sport se tornou algo importante para mim. Acabei fazendo parte dos times de design de grandes portais do tema, como Sogamed, Gotfrag e MYM, trabalhando remotamente com a equipe editorial na Europa. E criei o primeiro podcast de e-sports do país, patrocinado pela Samsung.
Escolher a faculdade não foi difícil: eu sabia que seria design digital. Tive sorte com meus professores, que fundaram o primeiro instituto de design de interação do Brasil, o Faber Ludens. Usabilidade, pesquisa com usuários, arquitetura de informação e design de interação faziam parte da minha rotina, e tudo era muito novo na época.
Também tive sorte de entrar cedo numa boa empresa. Entrei na Mídia Digital (Grupo JWT), uma das principais agências digitais da época, como estagiário de arquitetura de informação e usabilidade. Foi a experiência perfeita: resolvi problemas de vários segmentos de muitas formas diferentes, de sites interativos para campanhas publicitárias a sistemas complexos de gestão de varejo.
Com o avanço da carreira, cheguei a um ponto em que podia seguir carreira internacional ou abrir meu próprio estúdio de produtos digitais. Escolhi a segunda opção e fundei a HUNA, onde passei sete anos como fundador e design manager. Projetar sempre foi a parte mais fácil do meu dia; também precisei aprender RH, finanças e administração. A HUNA ficou conhecida por resolver problemas complexos para grandes empresas no Brasil, como Electrolux, Porto Seguro e Ebanx.
Em 2021 entrei na Leads2b, um CRM B2B SaaS para pequenas e médias empresas, primeiro como Head de Design e, desde 2023, como Head de Produto & Design. Lá lidero o produto de ponta a ponta: pesquisa com usuários, análise de dados de produto, ciclos de discovery e delivery, agentes de IA que prospectam e qualificam leads e o Smart Badge, um produto de hardware com apps mobile e web.
Venho projetando e liderando times de designers para entregar ótimas experiências para pessoas, sociedade e negócios. Acredito que vivemos uma época em que o designer precisa pensar além do artefato projetado.
Me especializei em antropologia cultural, o que me deu uma compreensão melhor do contexto cultural em que vivemos. Como designer, busco criar produtos que tenham significado na vida de cada pessoa. Tudo o que projetamos impacta a forma como as pessoas vivem e interagem em sociedade. Podemos criar artefatos digitais que geram ansiedade, depressão, vício digital e ódio.
Em cada projeto, procuro inspirar os designers a pensar no impacto social do que criamos. Como designers, podemos mediar e melhorar a forma como as pessoas interagem com o mundo.
E, para mim, no fim das contas, design precisa ser sobre forma, função e cultura.